
Há duas semanas o Instagram passou a esconder os likes (curtidas) nos posts da rede aqui no Brasil. Agora o usuário só consegue visualizar os números de seu próprio perfil e não mais quantos likes outras pessoas tiveram em seus posts. E é claro que essa mudança na quarta rede social mais usada pelos brasileiros gerou uma grande repercussão.
Muitos aprovaram a medida, alegando que esta deve diminuir a pressão por ganhar likes e a comparação com outras pessoas. Além disso, se acredita que agora o conteúdo em si será mais valorizado, independente de estar todo mundo curtindo ou não. Usuários no Canadá, onde os likes ocultos foram testados antes, relataram percepções deste tipo e maior sensação de liberdade para postar.
Inclusive o representante do próprio Instagram declarou sua intenção: que as pessoas foquem menos em curtidas e mais em contar suas histórias. E muita gente entendeu essa atitude como preocupação com a nossa saúde mental. Será?
Qual o interesse do Instagram nisso?
Partindo de uma postura crítica, vale lembrar que redes sociais são empresas que visam lucro e tomam decisões estratégicas. Ultimamente tem se falado muito em unfollow terapêutico, que é sobre alguém deixar de seguir pessoas ou marcas que o fazem se sentir mal. E existe até um movimento de afastamento definitivo das redes. Então, o Instagram tem cada vez mais incentivado a conexão e a interação entre seus usuários pois foi percebido que isso tende a manter as pessoas na rede.
Também há especulações de que a novidade possa estimular o investimento em anúncios por empresas que queiram se destacar no Instagram, mesmo sem a popularidade de um influenciador digital. Portanto, ainda que o pessoal do Instagram tenha preocupação com nossa saúde mental, suas ações são desejáveis para o sucesso do negócio.
Ok, mas e os impactos na saúde mental?
Os resultados do ocultamento dos likes por aqui ainda não sabemos, porém não acho que só isso acabe com os problemas de saúde mental associados ao uso do Instagram. Existem outros jeitos de saber sobre as curtidas alheias e os diversos outros recursos continuam iguais.
Mas reconheço que a discussão que isso tudo causou é algo bem positivo. Afinal estamos nos adaptando a uma realidade super conectada e “sentindo na pele” seus efeitos. E a partir da troca de ideias vamos compreendendo e transformando os fenômenos sociais.
Só acredito que não devemos parar por aí. Na internet tenho visto um preocupante contraste: de um lado, posts que ostentam vidas irreais, retocadas ao máximo para esconder imperfeições; de outro, conteúdos que expressam intensa angústia, desesperança e graves conflitos emocionais de todo o tipo. E muitas dessas publicações são de adolescentes, que ainda estão em plena formação. É preciso reagir.
Vamos falar mais de saúde mental, cuidar de nossa mente e uns dos outros? Quando nos fortalecemos psicologicamente, ampliamos as possibilidades de aproveitar os recursos tecnológicos de um modo mais saudável. ♡♡♡
* Deixo esse vídeo com uma ótima explicação da Débora Alcântara para quem quiser saber mais sobre os tais likes ocultos:

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