Sobre a prevenção do suicídio na infância e na adolescência

2–3 minutos

ler

yellow sunflower with leaves
Foto por Susanne Jutzeler em Pexels.com

O tema deste post não é leve e nem fácil de abordar mas vamos lá que evitá-lo não é solução. Para começar, já é triste a ideia de alguém ter “desistido de viver”. E quando essa pessoa é uma criança ou um adolescente ficamos ainda mais impressionados. Diante de uma tragédia assim as pessoas tendem a buscar distanciamento, temendo até falar sobre o assunto e incentivar outras tragédias. No entanto, é preciso superar o tabu pois são as informações que possibilitam a prevenção do suicídio, que é a segunda maior causa de mortes de pessoas entre 15 e 29 anos no mundo e tem aumentado entre os brasileiros mais jovens.

Setembro Amarelo

O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio é 10 de setembro e desde 2015 ocorre no Brasil a campanha Setembro Amarelo, criada pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) e pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria). O objetivo é a conscientização sobre a prevenção do suicídio.

Nessa época muitas pessoas bem intencionadas participam da campanha e algumas colocam-se à disposição para conversar. E realmente a escuta, o diálogo e o vínculo ajudam muito. Mas é importante saber que em casos mais graves a pessoa em sofrimento precisa também de ajuda profissional. Além disso, vale lembrar que o cuidado com a saúde mental deve se estender para todos os meses.

Fatores associados

Ainda há poucos estudos sobre suicídio infantil, principalmente com relação a crianças com menos de 10 anos. Inclusive muitas tentativas nem são notificadas e diversas mortes infantis por suicídio tem sido classificadas como acidentais. Contudo, existem alguns dados importantes como:

  • Os adolescentes em geral verbalizam mais o desejo de morrer do que as crianças;
  • Foram identificados pensamentos ambivalentes (busca de forças para viver e decisão de morrer) em bilhetes deixados dias ou meses antes por menores de 14 anos;
  • Dificuldades escolares são bastante presentes, como bullying e desempenho ruim;
  • Depressão e outros transtornos mentais, fatos traumáticos, perdas recentes, conflitos familiares, negligência, violência física e sexual, gravidez precoce e morte por suicídio de pessoa próxima também são fatores associados.

Como prevenir?

Crianças e adolescentes que tentam suicídio estão em sofrimento intenso. Nessa fase o suporte do adulto é essencial, até porque possuem menos recursos para resolver problemas. Assim, é indicado prestar atenção a alterações no apetite, no sono, no interesse em atividades que gostava, no isolamento e outras dificuldades de interação. Falas como “queria desaparecer” ou “queria morrer” também são sinais de alerta.

Nesses casos, recomendo avaliação psicológica e psiquiátrica. Para emergências existe também o CVV (Centro de Valorização da Vida), que atende pelo telefone 188, por chat, e-mail e pessoalmente.

Dúvidas ou comentários sobre o tema? Deixe aqui ou entre em contato comigo. E finalizo com um lembrete: fortalecer as relações, os vínculos afetivos e o diálogo faz bem para a saúde emocional. Proteja quem você ama. 💛

Referências

setembroamarelo.org.br

Revisão de literatura sobre suicídio na infância

Deixe um comentário